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LUCAS CARVALHO CONFIRMADO NO PARAPAN-2017 PDF Imprimir E-mail

Mesatenista Pernambucano foca a Seleção

Dono de um retrospecto excelente em Jogos Parapan-Americanos de Jovens, o Brasil se prepara para manter essa tradição na edição 2017 do evento, que começa no próximo dia 21, tendo como palco principal o CT Nacional Paralímpico, em São Paulo, um dos poucos legados, de fato, dos Jogos Rio-2016.
Nas últimas duas participações, em Bogotá, na Colômbia, em 2005, e em Buenos Aires, na Argentina, em 2013, o País liderou o quadro de medalhas. Na Argentina, foram 209 pódios, 102 com ouros. Pernambuco terá alguns representantes na delegação deste ano, entre eles o mesatenista recifense Lucas Carvalho, de 17 anos, eleito destaque da modalidade no Estado nas últimas duas temporadas. 
“Essa é a competição mais importante da minha carreira”, disse ele, que vê a convocação para a disputa como uma porta de entrada na seleção brasileira. “A prova disso é que muitos dos atletas presentes na Rio-2016 estavam no Parapan de Jovens de 2013. Então é bem importante para vislumbrar uma oportunidade nos Jogos de 2020 ou 2024. Conquistei essa vaga por mérito, com resultados, e vou buscar medalha”, completou.

Embora ainda não conheça o chaveamento, que será definido em congresso técnico a ser realizado no mesmo dia da abertura do Parapan, dia 20, Lucas deduz que o torneio terá um nível elevado devido aos atletas relacionados. “Conheço alguns nomes que participarão. As equipes do México e do Chile, por exemplo, vêm muito fortes”, analisou ele, que compete na classe 10, voltada para atletas com deficiência muscular mínima em uma das pernas. 
A participação no Parapan tem um gostinho especial para o recifense, que teve a primeira experiência internacional no ano passado, na etapa argentina do circuito mundial, a Copa Tango. Na ocasião, foi vice-campeão em duas categorias superiores à sua, a sub-23 e a Adulto. O resultado expressivo serviu de impulso para ele planejar novos passos na carreira. O primeiro objetivo tirado do papel foi o intercâmbio realizado no último mês, na Associação Nova Era, de Bauru, São Paulo.

Durante 45 dias, conheceu a rotina de um atleta de alto rendimento. Treinava seis vezes por semana, em dois períodos, além do reforço físico, algo até então inédito para ele. 

Aprendeu também a se virar para preparar a própria comida, lavar roupas e outros detalhes que passam despercebidos quando está ao lado da família. “Houve um amadurecimento dele como pessoa e na qualidade de jogo. Fora a frequência maior de treinos, tinha mais gente do mesmo nível ou superior a ele. Por isso o jogo ficou mais consistente”, comentou o técnico de Lucas na Unicap, Paulo Matos.

O próximo alvo na mira do mesatenista é uma participação maior no circuito mundial. Como passou no vestibular em segunda entrada, terá o primeiro semestre exclusivo para dedicar-se ao esporte. Quer aproveitar esse tempo para intensificar os treinos e, em junho, competir a etapa espanhola do circuito. “Mais para o final do ano tem as etapas mais próximas também, Chile, Estados Unidos, Argentina”, citou ele, que recebe os suportes financeiros da Bolsa Atleta estadual e federal, mas não conta com um patrocinador fixo.

“O tênis de mesa ainda é pouco divulgado, se você não for conhecido, campeão, dificulta muito. Graças a Deus tenho o apoio da minha família, pois conheço alguns meninos que desistiram do esporte.” A família é, justamente, o que ainda o prende no Recife. Desde o ano passado, ele recebe propostas para deixar a Cidade. Após o intercâmbio em Bauru, por exemplo, foi convidado a continuar na equipe paulista. Mas esse é um assunto pa­­­ra o futuro, próximo, porém futuro.

Início
O ano era 2012, quando Paulo Matos viu-se frente a um pré-adolescente de talento diferenciado para o tênis de mesa. Então com 13 anos, Lucas passou com louvor no teste de habilidades imposto pelo professor, que tratou de logo conquistar aquela joia.

“O teste era trocar bolas em um ritmo de acordo com a faixa etária. A média de rebatidas para a idade que ele tinha era de 20 a 30. De cara, ele fez 180 a 200. Aí eu pensei: ‘não posso perder esse menino’. Disse para ele voltar no dia seguinte e dei uma raquete de presente para ele se animar e começar a treinar”, revelou o treinador.
Seis meses depois, Lucas fora convidado para compor a equipe da Unicap e, assim, poder disputar campeonatos oficiais. No Estado, é o atual campeão da categoria principal olímpica e venceu, no último final de semana, a primeira etapa da temporada 2017. Já foi, também, campeão brasileiro escolar paralímpico, entre outras conquistas. 

“A qualidade técnica dele é diferenciada em relação aos demais meninos dessa faixa etária. E ele ainda está em uma crescente. Não é possível, por enquanto, determinar até onde ele poderá chegar a nível olímpico, já que a limitação dele é mínima e ele também compete nesses eventos. E no âmbito paralímpico, não dá para prever limites. Ele é um dos atletas que vem sendo observado na renovação da modalidade”, destacou Paulo.